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Quinta, 06 de setembro de 2018, 07h50

OPERAÇÃO CATARATA

Ministério Público vai além dos serviços e investiga contrato da Caravana, diz Zaque

Pablo Rodrigo, repórter do GD


O promotor de Justiça Mauro Zaque, responsável pelas investigações da Operação Catarata, que examina possíveis irregularidades nas realizações de cirurgias de catarata durante a Caravana da Transformação do governo Pedro Taques (PSDB), revelou que a execução do contrato entre o Estado e a empresa 20/20 também é alvo das investigações.

João Vieira

Mauro Zaque

Informações iniciais relatavam apenas apuração sobre serviços contabilizados e não prestados. O contrato, de quase R$ 50 milhões, foi firmado em 2016. Zaque também confirmou que o dono da empresa, Fábio Vieira da Silva, deverá ser ouvido pelo Ministério Público (MPE).

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"Ainda não sei se será ouvido aqui ou em São Paulo, mas é certo que ele terá que depor", disse Zaque nesta quarta-feira. Cerca de 10 pessoas já foram interrogadas.

O secretário de Saúde, Luiz Soares, e diversos servidores da pasta estão sendo ouvidos após a deflagração da operação, que realizou mandados de busca e apreensão na última segunda-feira (3) em Cuiabá e São Paulo.

Agentes do Gaeco apreenderam computadores e documentos na secretaria de Estado de Saúde (Ses) e na sede do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Já em Ribeirão Preto, a sede da empresa 20/20 foi alvo de busca e apreensão.

Os mandados foram autorizados pela juíza Célia Vidotti em ação cautelar proposta pelo MPE. Foi decretada ainda a indisponibilidade de bens do secretário de Saúde e do proprietário da empresa.

A magistrada acatou ainda o pedido do MPE e determinou a suspensão do contrato e o pagamento de quaisquer valores pelos serviços de oftalmologia.

Conforme investigações, na etapa Cuiabá, diversas irregularidades foram detectados, como pacientes que teriam realizado cirurgias de catarata em apenas um olho, porém, era lançado que o procedimento teria sido feito nos dois olhos.

Ainda de acordo com as investigações, o controle da quantidade de cirurgias realizadas durante a Caravana seria feita pela própria empresa, ou seja, ela apresentava a quantidade de cirurgias realizadas e o governo efetuava os pagamentos sem ter nenhum acompanhamento e fiscalização.

Outro lado

Por meio de nota o Estado garante que todos os procedimentos oftalmológicos realizados na Caravana da Transformação são rigorosamente regulados e auditados.

“O Governo do Estado de Mato Grosso informa que está prestando todas as informações necessárias ao Ministério Público Estadual sobre o contrato da Caravana da Transformação e que irá recorrer da decisão que suspendeu o referido contrato”, afirma trecho do documento.

A Caravana da Transformação iniciou em 2016 e teria realizado 88.171 consultas e 66.409 cirurgias oftalmológicas. No total, foram atendidas mais de 350 mil pessoas em serviços de cidadania ao longo de todas as edições.

“O Governo do Estado reitera a lisura e transparência em todos os contratos envolvendo a Caravana da Transformação e se coloca à disposição para prestar todos os esclarecimentos à Justiça”.



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