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Quinta, 13 de setembro de 2018, 14h53

Vendedor de jogo do bicho concorrente de Arcanjo confirma agressão

Celly Silva, repórter do GD


Atualizada às 16h - O ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro retornou à 2ª Vara Criminal de Cuiabá, na tarde desta quinta-feira (13), para audiência de justificação, em que se busca apurar a denúncia de que ele retornou ao comando do jogo do bicho após deixar a prisão, há cerca de 6 meses.

Chico Ferreira

João Arcanjo Ribeiro

Alberto Jorge Toniasso, apontado como suposto concorrente de Arcanjo no jogo do bicho, também foi intimado para comparecer na audiência para prestar esclarecimentos, ao Ministério Público e ao juiz Geraldo Fidelis, sobre os fatos apontados num boletim de ocorrência feito em 2017, relativo às denúncias de que ele teria sido ameaçado pelo genro e administrador das empresas de Arcanjo, Giovanni Zem Rodrigues, que negou a acusação, na audiência realizada no último dia 2 de agosto.

A ação de execução de pena, caso seja julgada procedente, pode levar o ex-comendador de volta para a prisão, se ficar comprovado que Arcanjo voltou a cometer crimes.  

Acompanhe os princiais momentos da audiência:

Alberto Jorge Toniasso é ouvido pelo juiz Geraldo fidelis e afirma inicialmente que não tem "nada a esclarecer" e que não sabe de nada, além do que ficou sabendo pela imprensa. “Primeira vez que estou vendo esse senhor na minha frente”, disse olhando para Arcanjo.

Ele confirmou, no entanto, que esteve no escritório do ex-bicheiro, em um estacionamento na Avenida do CPA, em Cuiabá, mas que não sabia que ele era o dono. Toniasso explicou que foi lá porque um velho conhecido, senhor Roberto, ligou para ele e disse que queria conversar com ele. Roberto não trabalha no local, mas marcou como ponto de encontro.

Segundo a testemunha, havia uma série de pessoas lá. "Eles me pediram pra entregar a máquina, a máquina foi jogada no chão, máquina tipo de cartão, de fazer jogo. Tomei um tapa no rosto", disse, alegando não se lembrar quem lhe desferiu o tapa. “Fiquei assustado, com medo. Baixei a cabeça e disse: olha, eu só estava tentando levar comida pra dentro de casa”, relatou. 

Alberto Toniasso confirmou ainda que o episódio ocorreu no final do ano passado, entre novembro e dezembro. “Prometi que nunca mais faria, como de fato fiz”, afirmou.

A testemunha afirmou que certo tempo depois, um homem que se identificou como advogado o procurou em sua casa, orientando-o a fazer um boletim de ocorrência. Alberto Toniasso afirma que não queria, mas acabou sendo convencido pelo advogado. Segundo ele, foi este quem lhe disse que o local onde ocorreu a agressão era escritório do genro de Arcanjo, informação que ele desconhecia.

Encerrada a oitiva de Alberto, João Arcanjo apresentou ao magistrado algumas fotos externas do local onde faz um curso. Isso porque ele teria sido acusado de estar frequantando o centro comunitário que fica ao lado do estabelecimento, mas levou as fotos para mostrar que apenas são prédios vizinhos, mas que ele estava indo estudar, conforme autorização.  O juiz Geraldo Fidelis não fez muitos questionamentos e encerrou a audiência de justificação. 

Chico Ferreira

Zaid Arbid

Ao final, o advogado do empresário, Zaid Arbid, afirmou que "a montanha pariu um rato”, avaliando o depoimento de Alberto Toniasso. “O problema que envolve é do reeducando João Arcanjo Ribeiro. Ele não conhece João Arcanjo Ribeiro, nunca esteve com João Arcanjo Ribeiro. Só foi ficar sabendo - isso ele deixou bem claro - depois dos fatos acontecidos, ele foi procurado por um advogado e aí estimulado a fazer um boletim de ocorrência. E ele foi taxativo: dos fatos que tem ali, ele não tem nada a dizer. E o que se trata aqui é apurar se João Arcanjo Ribeiro cometeu ou não cometeu alguma transgressão com as obrigações que lhe foram impostas", disse. 

Para o advogado de Arcanjo, na audiência ficou clara uma suspeita "muito mais grave": a de que João Arcanjo Ribeiro é "alvo de campanhas maldosas, de armações". “Ora, será que alguém que é agredido não sai na hora e vai fazer uma ocorrência policial?! Ninguém é tolo o suficiente pra acreditar nessas fábulas”, afirmou.

Questionado se o fato de Toniasso, um idoso franzino, parecer estar amedrontado, Zaid Arbid negou tal influência interna. “O juiz perguntou duas vezes se ele tinha constrangimento em estar junto ao João Arcanjo Ribeiro e ele foi taxativo e natural, nem conhecia João Arcanjo Ribeiro a não ser através de vocês, pela mídia”.

Por outro lado, o advogado se contradisse ora dizendo que Antônio "nunca esteve naquele escritório", se referindo à sede do Grupo JAR, de propriedade de Arcanjo, ora confirmando o que foi dito pelo genro do ex-comendador na audiência do último dia 2 de agosto. "Ele foi lá para oferecer os pontos de jogo do bicho para Giovani, que não quis", disse.

Questionado se vai buscar saber quem é o advogado que teria convencido Antônio Toniasso a fazer o boletim de ocorrência que deu início ao caso, Zaid admitiu que há esse interesse, mas que as provas serão produzidas no Grupo de Combate ao Crime Organizado (GCCO), que conduz as investigações. 

Em relação às imagens que o juiz havia determinado localizar para identificar a pessoa que protocolou denúncias também contra arcanjo no Fórum da Capital, o defensor de Arcanjo relatou que "ao que se consta, as filmagens e as câmeras foram destruídas e perdidas”.



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