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Segunda, 11 de setembro de 2017, 17h45

Taques desmente Silval e nega acordo para favorecer Alan Malouf

Celly Silva, repórter do GD


(Atualizada às 19h15) Em sua delação “monstruosa”, conforme classificação do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) apontou que o empresário Alan Malouf, dono do Buffet Leila Malouf, o procurou na época da campanha eleitoral de 2014 para dizer que tinha um precatório de R$ 200 milhões para receber do Estado e que já havia conversado sobre o assunto com o então candidato ao governo Pedro Taques (PSDB). Este por sua vez, teria se comprometido em pagar o montante desde que a gestão anterior deixasse parecer favorável.

O governador Pedro Taques (PSDB) negou a existência de qualquer tipo de acordo para pagar R$ 200 milhões de precatórios para a família do empresário Alan Malouf. O suposto acordo consta na delação premiada do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) à Justiça. (Veja nota oficial e outras informações abaixo)

João Vieira

Silval Barbosa

O caso teria ocorrido em meio às tratativas das doações de campanha, em que Silval teria firmado parceria para ajudar financeiramente o grupo de Pedro Taques. Após o fechamento do acordo, o então secretário de Estado da Casa Civil Pedro Nadaf teria informado a Silval sobre o pleito do empresário.

Conforme o ex-governador, diante da informação ele teria pedido para Pedro Nadaf marcar uma reunião com Alan Malouf, ocasião em que o empresário teria explicado ao então governador que o precatório era referente a um processo de indenização que sua família havia ganho do Estado e reforçou que já havia um compromisso de Pedro Taques de pagá-lo desde que os pareceres favoráveis fossem deixados pela gestão de Silval.

Barbosa então teria se comprometido a ajudar Malouf e pedido para Pedro Nadaf tomar as providências necessárias, mas afirma que não soube como a situação se concluiu.

Outro lado

O Gazeta Digital entrou em contato com as assessorias jurídica e de imprensa do empresário Alan Malouf, mas não obteve resposta até o momento do fechamento da matéria. O secretário de Comunicação do Estado Kléber Lima afirmou que a conversa sobre precatórios a Alan Malouf nunca existiu por parte do governador Pedro Taques. 

Chico Ferreira

Alan Malouf

Em relação à existência de precatório de R$ 200 milhões a membros da família Malouf, o procurador-geral do Estado Rogério Gallo informou ao Gazeta Digital que não existe nenhum precatório em trâmite no Estado em benefício deles nesse valor.

O que existe, conforme a Procuradoria Geral do Estado (PGE), é uma ação de execução provisória de sentença impetrada por Leila Malouf exigindo uma indenização de R$ 44 milhões (sem correção monetária), contra a qual existem embargos impostos pelo Estado em julho de 2015, o que foi acatado pelo juízo há um ano atrás, suspendendo o processo até julgamento pendente no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Além disso, o procurador-geral destacou que não houve qualquer pagamento do Estado à família Malouf, pelo contrário, impediu que o pagamento fosse realizado até que todas as instâncias da Justiça concluam o processo.

Confira nota do governo na íntegra:

O Governo do Estado esclarece que o governador Pedro Taques nunca firmou nenhum acordo para quitar precatórios do empresário Alan Malouf. Ao contrário do que alega o ex-governador Silval Barbosa em sua delação premiada, não existe nenhum precatório em trâmite no Estado de Mato Grosso em benefício de familiares de Alan Malouf, mas sim apenas uma Ação de Execução Provisória de Sentença, no valor de R$ 44 milhões, referente a um imóvel rural vendido pelo Estado à família Malouf. Após a venda, a terra foi retomada pela União por se tratar de uma reserva indígena.

No entanto, a atual administração do Governo do Estado entrou com embargos de execução, por meio da Procuradoria Geral do Estado, e a 5ª Vara Especializada da Fazenda Pública suspendeu o curso da ação, em setembro de 2016.



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