WhatsApp Twuitter

Domingo, 10 de setembro de 2017, 00h00

Pacto pela integridade

Eumar Roberto Novacki


A operação Carne Fraca nos trouxe algumas lições, mostrando que serão necessárias ações enérgicas para mitigar o "dano" causado a imagem, não só da pecuária, mas de todo setor agropecuário brasileiro.

O agronegócio que é a mola propulsora da economia nacional, responsável por 30% do PIB, quase 50% das exportações e por 1 em cada 3 empregos no Brasil (de acordo com estudo feito pelo Cepea/Esalq - Centro de Estudos de Economia Agrícola da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz de Piracicaba), precisa fazer um grande pacto pela integridade.

Consciente da importância desse setor para o Brasil e da necessidade de superarmos a recente crise de imagem, o Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Blairo Maggi, em maio deste ano, anunciou a decisão de criar o programa de Compliance do MAPA e propôs uma política de conformidade aos empresários do setor agropecuário brasileiro, reunidos para avaliação e balanço do Plano Agro+.

Com origem inglesa, a palavra Compliance surgiu do verbo "to comply with", que significa "agir de acordo com", isto é, de acordo com a uma lei, uma norma, um regulamento, uma política interna. No âmbito institucional e corporativo, remete a um conjunto de regras para fazer cumprir as normas legais e regulamentares, as políticas e as diretrizes estabelecidas para o negócio e para as atividades da instituição ou empresa, bem como evitar, detectar e tratar qualquer desvio ou inconformidade que possa ocorrer.

Mas a abrangência desse termo foi mudando com o tempo, e atualmente significa não só cumprir as leis, assumiu com isso primordial imperativo, atender à lei anticorrupção. O programa existe para que se crie mecanismos capazes de evitar a prática de atos ilícitos.

Além de fortalecer a imagem da agricultura e da pecuária nos mercados nacional e internacional, a proposta visa também evitar fraudes, sejam elas econômicas ou de qualidade, contra o consumidor.

Tenho plena convicção que se o Programa de Integridade do Mapa (compliance), criado pela Portaria n´ 705, de 7 de abril deste ano, estivesse em vigor há mais tempo, teria evitado as ações da Operação Carne Fraca que abalaram a já sofrida economia brasileira, pois ele aprimora os mecanismos de prevenção, detecção e remediação de fraudes, irregularidades e desvios de conduta de agentes públicos nos estabelecimentos agropecuários sujeitos à fiscalização federal.

O Programa de Conformidade - Compliance - do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento vem sendo construído junto com o setor produtivo, e nossa meta é que seja concluído até 31/12. Vamos iniciar o ano de 2018 dentro de uma nova perspectiva.

Mas não basta apenas o Ministério fazer sua parte. É imprescindível que as empresas ligadas ao setor, tenham sua política de conformidade, aderindo ao programa de Compliance do Mapa.

Estamos otimistas. Já contamos com o apoio de várias entidades representativas do agronegócio, que serão os principais parceiros fomentadores das adesões, convidando a alta gestão das empresas associadas a atuarem ativamente na adesão à proposta, que é, diga-se de passagem, ousada e inovadora!

Mesmo não sendo obrigatório, esse movimento será um marco para um mercado. Irá garantir produtos e serviços protegidos contra eventuais riscos éticos, de ilegalidade e, consequentemente, de qualidade diferenciada. É o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, dando uma resposta rápida e eficiente ante o clamor da sociedade brasileira e do mercado internacional, que exigem transparência e seriedade.

Não podemos permanecer inertes diante de situações que provocam danos irreparáveis à imagem do Brasil. Então, seguindo a linha de fomento às boas práticas na produção, vamos implementar premiações e certificações específicas com a criação do selo Agro + Integridade, para aquelas empresas que além de instituírem seus programas de Compliance em adesão ao programa do Mapa, comprovem a produção de modo sustentável e com responsabilidade social respeitando a dura legislação trabalhista.

O recebimento desse selo específico de qualidade, será um atestado ao mercado interno e aos países que compram nossos produtos, assegurando que a empresa produz dentro dos mais rigorosos padrões de qualidade.

Isso nos levará ao incremento da imagem institucional, ao aprimoramento da transparência com a sociedade, a melhoria do clima organizacional e fortalecimento da ética nas práticas internas de trabalho, estimulando uma nova cultura concorrencial.

Não será uma empreitada fácil, porque interfere no padrão cultural brasileiro, porém, é um passo imprescindível para consolidação da confiança na agricultura e pecuária do Brasil, e na conquista e manutenção de novos mercados - por meio de um modelo de gestão focado na ética, na otimização de recursos, na responsabilidade ambiental e social, com bom ambiente de trabalho corporativo - além de demonstrar total respeito aos clientes.

Acreditamos que muito em breve, esse "selo de qualidade" fará toda diferença! Será exigido das empresas pelos consumidores brasileiros e será "requisito" para o acesso aos mercados internacionais! Queremos passar de 7% para 10% da participação brasileira no mercado agro internacional em 5 anos. Meta difícil, mas possível, desde que iniciativas ousadas como essa tenham o respaldo das empresas do setor que é o alicerce da economia brasileira.

Eumar Roberto Novacki, secretário Executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento



// leia também

Sexta, 24 de novembro de 2017

00:30 - Dia da Árvore

00:30 - Agronegócio na Argentina e MT

00:30 - A escolha da escola

00:30 - A essência do mau atendimento - 4

00:30 - "Cura gay", "cura corrupto"

Quinta, 23 de novembro de 2017

12:39 - Pedro, do medo à perseguição

00:00 - Você cumpriu suas metas em 2017?

00:00 - Será?

00:00 - Agrotóxicos: percepção do risco

00:00 - Competição e mediocridade