WhatsApp Twuitter

Segunda, 11 de setembro de 2017, 00h00

Na contramão dos estereótipos

da editoria


Na contramão de movimentos preconceituosos, retrógrados, pensamentos antigos e machistas que há muito já deveriam ter deixado de existir, comportamentos, atitudes e a coragem de muitos "empurram" a humanidade para a frente quando o assunto é igualdade de gênero. E entre esses muitos está Junior Silva, um jovem de 12 anos que, pelo menos três vezes por semana, grava e posta nas redes sociais vídeos ensinando crochê. Com mais de 90 mil seguidores, ele faz sucesso na web e, mais que os produtos que cria com destreza, está uma importante lição, a de que tudo dá certo para quem faz o que gosta, acredita e se dedica de coração.

Posturas como a do jovem Junior são corajosas quando críticas e ofensas proliferam em igual intensidade, mas caminham em conjunto com outras iniciativas bem mais enfáticas que revelam a necessidade de derrubar e, principalmente, deixar de reforçar os estereótipos de gênero, aqueles que determinam o que é de menino ou menina, seja um brinquedo, uma roupa, uma cor específica, hábitos, comportamentos e por aí vai.

Recentemente, uma das maiores lojas de departamentos da Europa, a britânica John Lewis, determinou que, de agora em diante, os departamentos de roupas infantis serão igualitários em suas 48 lojas, ou seja, não farão distinção entre roupas de meninos e meninas. A empresa, que tem 153 anos de história, tomou o que muitos chamam de medida revolucionária, pioneira e igualitária que pode até representar certo risco para os lucros futuros. Mas pode também servir de exemplo e colocar em foco o quão prejudicial pode ser esse reforço nos estereótipos na vida de homens e mulheres.

Reforço, aliás, que começa logo na infância com uma certa ajuda dos brinquedos dados à criança, conforme comprova uma pesquisa feita pela rede britânica BBC para mostrar o impacto que estes produtos exercem, não apenas na forma como as crianças se veem, mas também em quais habilidades elas aprendem, passando pelo desenvolvimento cerebral. De acordo com psicólogos que acompanharam o experimento, isso ajuda a explicar por que algumas profissões são tão dominadas por homens e por que, em muitas situações, a fragilidade ainda é tido como um dos principais atributos das mulheres.

A rede sueca de brinquedos Top-Toy, também saiu na frente ao criar anúncios neutros de brinquedos que não determinam com o que meninos e meninas devem brincar. A divisão de gêneros não faz mais parte do catálogo de produtos da marca, sendo que as crianças, independente do sexo, aparecem se divertindo com todos os tipos de brinquedo. Além das peças publicitárias, as lojas foram reformuladas para misturar os conceitos e os funcionários treinados para abrir a mente e não limitar suas ideias na hora de vender os brinquedos.

A postura de lojas como as citadas acima é reflexo de uma tendência que tende a se espalhar pelo mundo refletindo transformações profundas pelas quais passa a sociedade, que abre espaço para os mais variados gêneros, opções e preferências. Os frutos mais profundos de toda essa mudança serão a tolerância, a aceitação, o sentimento de igualdade e pertencimento.



// leia também

Domingo, 24 de setembro de 2017

00:00 - Negociação em tempos de crise

00:00 - Enclaves no cenário estranho

00:00 - Como o político deve ser?

00:00 - Eu queria

00:00 - Vencendo a morte

Sábado, 23 de setembro de 2017

00:00 - Ausência de poder

00:00 - Setembro chegou sem FEX

00:00 - Investimento sustentável

00:00 - Zero elevado a nada

00:00 - Nossos rios pedem socorro