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Terça, 12 de setembro de 2017, 00h00

Des-ordem, nova ordem

Onofre Ribeiro


Muitas coisas absolutamente contraditórias se cruzam neste momento em Mato Grosso. De um lado, o desmonte dos poderes e das suas elites por meio das suas próprias contradições construídas ao longo do tempo e de relações pouco-republicanas. Incluindo o Poder Legislativo voltando a engatinhar com as fraldas sujas. Os demais não têm do que se orgulhar.

No plano federal, a mesma coisa. Vai daqui pra lá e vem de lá pra cá. Exporta-se e importa-se o que poderia haver de pior nos costumes do Estado. Isso é o pior. Mas existe o lado bom.

Enquanto aqui em Mato Grosso os poderes derretem, a economia do estado acena com horizontes promissores no curto e no médio prazo. Uma economia privada forte estruturou-se à margem da política partidária. Esteve dentro, saiu e preferiu a periferia porque dentro o jogo desmonta até impérios. O que está em jogo é uma perspectiva de produção de alimentos crescentes. A possibilidade de novos cenários de terceirizações, resolver-se rápido a questão da logística. Com a segurança jurídica no país, capitais internacionais resolverão outra equação forte. A questão da verticalização da produção hoje primária de grãos, de madeira , de carnes e mineral.

Um ciclo virtuoso vai se abrir em pouco tempo. Pode se dizer, a rigor, que entre 2019 e 2022, tanto o Brasil como o mundo sofrerão mutações inimagináveis hoje. O mundo nunca teve estoques de capital tão grande como tem hoje. Faltam lugares adequados pra investi-lo. O Brasil está no mapa desses capitais faz muito tempo. O que nos impede é a maluquice das sucessivas gestões públicas brasileiras. Havendo segurança jurídica e estabilidade financeira, a equação se resolve.

Porém, não se resolveu ainda, porque os meios políticos atuais sabotam. Aos condutores da política brasileira, que representam as suas elites e lideranças históricas, interessa manter o atraso. Leis ruins, gestões ruins, estratégias suicidas, sabotagens dos bons ciclos econômicos, fazem parte do projeto e atraso dos nossos dirigentes.

A importância desse processo de desmonte iniciado na Operação Lava-Jato e replicado em estados como Mato Grosso tem esse importante papel: desmontar um feudalismo velho e rançoso. O futuro terá que ser reconstruído. Um mundo novo que se abre pra quem tiver competência, visão e capacidade de se mover do novo jeito. Jeito certo!

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.

Contato: onoferibeiro@onofreribeiro.com.br www.onofreribeiro.com.br



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