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Quarta, 13 de setembro de 2017, 00h00

Editorial

Crises no bolso e na saúde

Da Editoria


Nos últimos 3 anos, vários setores da economia brasileira sentiram os reflexos da mais aguda recessão econômica enfrentada pelo país desde a 2ª Guerra Mundial. Os investimentos rarearam, o consumo despencou e a produção industrial quase parou. Com dívidas chegando e vendas caindo, centenas de empresas fecharam as portas em todo o país e milhões de trabalhadores perderam o emprego. E tudo isso combinado com uma das mais graves crises políticas, desencadeada pela Operação Lava Jato, que vem colocando políticos e empresários atrás das grades por conta da corrupção.

Uma crise sem precedentes abraçou o Brasil e parece estar longe de soltá-lo. A cada semana uma nova história vem à tona, atordoando políticos e empresários e embasbacando os cidadãos de bem. A situação afeta todo o povo brasileiro que assiste de mãos atadas o país retroceder e o desenvolvimento econômico minguar. Se lá em 2008 e 2009 a nação verde-amarela ficou imune à crise financeira internacional, de 2014 para cá uma avalanche de falcatruas soterrou o país, levando-o ao mais baixo nível de reputação, provando efeitos catastróficos sobre o Produto Interno Bruto (PIB) e aos olhos dos investidores internacionais. A crise de imagem é forte e a de confiança também.

Para se ter uma ideia da dimensão disso sob a ótica dos cidadãos, que usam apenas os protestos e manifestações contra a corrupção como armas e como forma de demonstrar a sua indignação, o mercado de trabalho encolheu e o dinheiro do bolso sumiu. Considerado um dos principais indicadores econômicos do país, o emprego atingiu os piores índices nos últimos anos e aos poucos vem esboçando uma leve recuperação.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que no trimestre móvel entre maio e julho, a taxa de desocupação foi de 12,8%, com queda de 0,8 ponto percentual em relação ao trimestre de fevereiro a abril de 2017, quando ficou em 13,6%. Sobre o mesmo trimestre móvel do ano anterior, quando a taxa de desocupação atingiu 11,6%, houve alta de 1,2 ponto percentual.

Ainda conforme os dados da Pnad Contínua, a população desocupada atingiu 13,3 milhões de pessoas, uma queda de 5,1% (ou menos 721 mil pessoas) frente ao trimestre anterior. Já no confronto com o mesmo trimestre de 2016 houve aumento de 12,5% (mais 1,5 milhão de pessoas) no contingente de desocupados. A população ocupada totalizou 90,7 milhões de brasileiros, aumento de 1,6% em relação ao trimestre anterior (mais 1,4 milhão pessoas) e não apresentou alteração em relação ao mesmo trimestre de 2016.

Enquanto alguns setores lamentam a drástica queda nas vendas, outros sorriem. Afinal, a desgraça de uns é a alegria e a sobrevivência de outros. Um exemplo disso é o setor de medicamentos. Levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró Genéricos) mostra que nos primeiros 6 meses de 2017, as vendas totais de remédios em unidades cresceu 3,9%, ante o ano passado. Somente o segmento de sistema nervoso central, chamado de SNC - onde estão antidepressivos e ansiolíticos -, cresce cerca de 20% ao ano. E esta taxa de crescimento certamente foi ampliada nos últimos anos. Com tantos problemas, os brasileiros estão precisando de uma dose a mais destes tipos de medicamentos para enfrentar o período a situação e sobreviver à crise.

O movimento financeiro no setor é bilionário. O mercado de antidepressivos e ansiolíticos movimenta por ano R$ 2,6 bilhões, segundo dados da Pró Genéricos. Do total, os antidepressivos respondem por R$ 2,05 bilhões e os ansiolíticos por R$ 534 milhões. Para completar o cenário, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a depressão afeta 4,4% da população mundial, sendo que no Brasil a proporção é que atinja 5,8% dos brasileiros (maior prevalência da América Latina). O país tem a maior prevalência de ansiedade do mundo, com 9,3% da população afetada.

Num país de elevado número de pessoas deprimidas e ansiosas, qualquer crise que afete o bolso certamente vai afetar na saúde, causando estragos não só sobre as finanças, mas também sobre o psicológico dos brasileiros, sobretudo por causa da dependência desse tipo de medicação para estar bem.



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