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Quarta, 13 de setembro de 2017, 00h00

Óleo de peroba

Renato Gomes Nery


Um gesto ou uma atitude vale mais que mil palavras. As imagens falam por si. As provas são mais plenas e incontestáveis se apreendidas por fotografias ou vídeos. A imagem é um espelho, a menos que se tenha um sósia e a prova captada seja deste.

Nenhum dos deputados envolvidos, no incidente revelado e provado por um ex-governador do Estado, foi capaz de infirmar as suas imagens de deputados e ex-deputados recebendo dinheiro por vias incomuns. Um fato..... É um fato.... É um fato... E não pode ser agredido por que constitui prova em si mesmo. Qual a defesa? Não existe defesa plausível!

Não se viu nenhum dos envolvidos admitir que ele não era ele mesmo. Que não foi envolvido no lamentável incidente! Que não recebeu propina em dinheiro vivo! Que não foi indigno!

Existe uma negativa genérica. E por que não! Por que político não erra, apenas equivoca-se, às vezes! O cenário nacional está prenhe de mal feitos e crimes sem pai e nem mãe, com negativas peremptórias de tudo. Não fui eu! Não era bem assim! Foi uma armação! Envolveram-me indevida e irresponsavelmente!

Além disso, existe outro fato a clamar por justiça: devolver "a grana" para o sofrido bolso do contribuinte e de preferência em dobro. Isto seria o mínimo e mais digno! Mas quem falou em dignidade! Esta palavra inexiste para aquelas pessoas. Negar! E negar sempre! Enfim, morrer negando!

A única exceção a esta regra, foi do ex-governador de Brasília - José Roberto Arruda que confessou e pediu perdão pela adulteração do painel eletrônico do Senado de onde teve que renunciar. O perdão foi aceito e ele, posteriormente, eleito Governador de Brasília de onde foi apeado por novos e incontáveis mal feitos.

Expor a indignidade e pedir perdão pelos crimes cometidos não vai levar, por aqui, ninguém ao pelotão de fuzilamento. Vai, no máximo e com grande esforço, levar a uma suave prisão ou quem sabe a uma delação premiada que redime criminosos de toda ordem.

E aqui, um parêntese: nas devoluções premiadas firmadas no Brasil, os valores a devolver têm sido bem menores do que os "danos" e "rombos" causados.

O caso do Prefeito de Cuiabá é ilustrativo. As suas desculpas e justificativas são patéticas. Como é que ele vai continuar a exercer o mandato que está apenas começando, com as imagens que foram apresentadas dele no incidente relatado! Como Deputados, na mesma situação, vão continuar o exercício do mandato!

Na minha avaliação, a primeira atitude seria renunciar. A segunda, se a primeira não for exercida, admitir o erro. A terceira devolver a grana da apropriação. E a quarta, seria pedir perdão à população, restaurando precariamente, desta forma, a dignidade das funções e dos cargos severamente arranhados.

Não creio que nenhum deles tenha a hombridade, a coragem e a dignidade para tanto. Certamente que o relatado ficará inalterado à espera de eventuais e demorados resultados judiciais. Resta, portanto, a nosotros pedir aos comerciantes que aumentem os seus estoques de óleo de peroba.

Renato Gomes Nery é advogado em Cuiabá. E-mail rgnery@terra.com.br



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