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Quarta, 12 de setembro de 2018, 00h00

Vitupério

Renato Gomes Nery


Por aqui, na terra de Rondon, a maioria dos candidatos para eleições de outubro continua repetindo a mesma ladainha surrada e usada em todas as eleições: o bom mocismo. Os candidatos são vaidosos heróis que pertencem a uma geração de indômitos Timbiras. A ascendência é imaculada e a família é uma preciosidade absoluta e intocável. O "chororô" sentimental os distingue dos outros mortais. Dão a impressão de que os mandatos vão ser exercidos pelos seus inatingíveis e imaculados pais ou por eleitos dos deuses. Uma exploração sentimental enjoativa, piegas, cansativa vulgar, extemporânea e desnecessária!

"Elogio em boca própria é vitupério", afirma um provérbio português. Vitupério é uma palavra em desuso que significa: injúria, afronta, difamação etc. A pertinência deste adágio neste texto é muito apropriada, tal o narcisismo nocivo dos postulantes a cargos públicos nas eleições de outubro/2018.

No Brasil afora não é diferente. Nestes tempos difíceis, não há lugar para "bons moços" e, muito menos, para mentirosos e mistificadores. No país tudo está pela "hora de morte"! Nada funciona! Para todo lado que se olha (saúde, educação, segurança, a cultura etc.) se enxerga desordem, a incompetência, o descaso e a insidiosa corrupção que abate e envergonha aqueles que vivem do seu trabalho.

As burras dos orçamentos de cultura se abrem para quem não precisa e deixa perecer o rico patrimônio cultural levado pelas labaredas do fogo da incompetência, da burocracia e de incúria!

Candidatos, chega de lorotas! Onde estão as propostas exequíveis para os cargos que vão ocupar? O Estado, o país, a população precisam de propostas viáveis, enfim de acreditarem num futuro melhor! De bons legisladores, reformadores e de administradores aptos e competentes para viabilizar os antigos e crônicos problemas dos que aqui habitam. Os antigos continuam antigos. E os novos imitam os antigos. A propaganda eleitoral é lastimável (com raríssimas exceções). Ainda bem que ficou mais curta! Ficarão, portanto, mais reduzidos, os narcisismos, os "arranca rabos", a exposição de mazelas e os defeitos dos adversários. A que vieram? Certamente para dizer que o inferno é os outros!

Não há nada de novo no Reino do Brasil. Até as suas relíquias e memórias foram queimadas. Tudo foi reduzido a nada. Enfim, a cinzas que são estéreis! Vamos renovar como e com quem? Os novos são velhos e os velhos continuam velhos. E o Brasil é o de antanho a desafiar o bom senso e a lógica. E nós outros, continuamos acreditando num futuro que não vem! E a achar que a Venezuela é bem aí e está chegando aqui a passos largos. É de chorar!

Renato Gomes Nery é advogado em Cuiabá. E-mail rgnery@terra.com.br



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