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Quinta, 13 de setembro de 2018, 00h30

Editorial

Um olhar para os jovens

Da Editoria


Uma notícia publicada essa semana no site da Assembleia Legislativa de Mato Grosso informa sobre a sugestão de um parlamentar para a elaboração do Plano Estadual da Juventude, um documento onde constem as políticas públicas que garantirão a integração e a participação do jovem nos processos social, econômico, político e cultural do Estado. O objetivo final é promover o bem-estar dos jovens em áreas estratégicas como a saúde e cidadania, além de fomentar a participação social e política.

Não é de hoje que propostas para a juventude são alardeadas aos quatro ventos, principalmente em períodos eleitorais. Neste atual, no entanto, o que chama a atenção é a carência de tais políticas, projetos e sugestões voltadas a este público, com os candidatos muito mais concentrados em bater em teclas óbvias e prometer o de sempre em saúde, segurança e educação. Afinal, rende mais voto.

O Conselho Estadual da Juventude foi instituído por meio de lei em fevereiro de 2016, sendo que a elaboração de um Plano Estadual da Juventude está entre as suas competências. Dois anos se passaram sem que a sugestão saísse do papel, caso contrário não estaria sendo cobrada agora pelos parlamentares. Uma cobrança, aliás, que tem tudo para continuar no papel, visto que já estamos no apagar das luzes do ano legislativo e dificilmente algo de tamanha relevância sairá da Casa de Leis em tempo hábil.

Além disso, a proposta da AL chove no molhado. Em 2013 foram instituídos o Estatuto da Juventude e o Sistema Nacional da Juventude, demandando aos estados a criação de um plano estadual que esteja em conformidade com o nacional. O documento deixa claro que cabe aos estados cofinanciar, com os demais entes federados, a execução de programas, ações e projetos das políticas públicas.

O pleito de outubro próximo terá a menor participação dos adolescentes nas eleições presidenciais desde 2002. Os jovens que têm entre 16 e 17 anos, ou seja, cujo voto é facultativo, representam quase 6,5 milhões de brasileiros. Deste total, apenas 1,4 milhão (ou 21,6%) tirou o título de eleitor. Os números são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). São meninos e meninas que fazem parte de uma geração que não conhece o mundo sem internet e, ao contrário do que se costuma pensar, são muito bem informados, pois contam com um universo inteiro de informações na palma das mãos e ao acesso de um simples deslizar de dedo pela tela do smartphone.

Deveriam, portanto, merecer um pouco mais de atenção dos que estão aí na corrida eleitoral e mal se pronunciaram sobre esse público. As propostas, quando existem, têm a mesma importância que aquelas voltadas para a cultura: são genéricas, repetitivas, simplórias e não raro utópicas. Não deveriam. Esse é aquele público que costumam chamar de "o futuro do Brasil" e que, portanto, precisa ser abraçado por políticas públicas condizentes, eficientes e que promovam transformações reais. Políticas que estejam em todas as áreas, da saúde à cultura, passando pelo esporte, segurança e educação.

Quando se constata o número relativamente baixo de alunos com mais de 14 anos inscritos no ensino médio em instituições de ensino no país, se chega à real dimensão da desassistência enfrentada por esse público. Uma escola pouco atrativa, a falta de oportunidades de inserção no mercado de trabalho e de atividades ocupacionais que fortaleçam o conceito de cidadania são portas abertas para a desilusão e o mundo da violência e criminalidade.



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