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Sábado, 15 de setembro de 2018, 00h00

Editorial

Reeleição na berlinda

Da Editoria


Foram tantos anos, pode-se dizer décadas, de desmoralização da classe política em um processo de autodestruição que o clima de desânimo, desilusão e incredulidade tomaram conta dos brasileiros nos últimos tempos a ponto de surgirem, aqui e ali, movimentos de a não participação no processo democrático como o voto nulo e o voto em branco. O objetivo - equivocado, vale ressaltar - é inviabilizar as eleições já que, segundo os defensores dessas propostas, entre os nomes dos atuais candidatos, não se salva ninguém.

O movimento veio ganhando força ao longo dos últimos meses a ponto de chamar a atenção do Tribunal Superior Eleitoral, que saiu em defesa do voto válido esclarecendo equívocos. De acordo com o TSE, é preciso muito mais que não votar para invalidar uma eleição e o fato de votar nulo ou em branco não elimina o pleito, mas aumenta as chances de que sejam eleitos os que têm menor representatividade. É o chamado tiro no próprio pé.

Outra corrente também atual é a que pede a não reeleição dos políticos atuais. Segundo os defensores da campanha Não Reeleja Ninguém, seria uma oportunidade de "ajudar a limpar as instituições políticas". A questão tem ganhado força, principalmente nas redes sociais, e carrega consigo uma série de equívocos. O primeiro é enxergar na não reeleição uma solução simples para um problema muito mais complexo. O simples fato de substituir caras novas pelas antigas não significa que tudo estará resolvido e tampouco indica uma melhora na qualidade do serviço prestado pelos políticos. Também não garante um "certificado de honestidade" aos que nunca exerceram esse cargo.

Um segundo problema é o pensamento equivocado a respeito da atuação política. É como colocar todos os nomes em um só caldeirão e não considerar que existe sim, o trigo em meio ao joio, o bom político em meio a tantos ruins. São poucos, é verdade. Mas cabe ao eleitor dividir a responsabilidade pela boa ou má atuação daqueles que foram eleitos pelo voto direto. Analisar a trajetória percorrida e o serviço prestado pode ajudar na escolha dos parlamentares que são comprometidos com a lisura do funcionamento das instituições.

Outro apontamento que condena o movimento de não reeleição é a injustiça que pode ser cometida contra trajetórias políticas éticas e alinhadas com os interesses da população. Sim, há bons políticos e bons serviços prestados e que precisam ser valorizados, portanto, são também merecedores do voto de confiança. Na atual situação em que se encontra o cenário, essa avaliação pode começar com uma análise da ficha do candidato, se limpa ou suja, se há condenações, envolvimento em escândalos de corrupção ou alguma proximidade com aqueles que seguem em caminho contrário.

Ainda devem ser observadas as propostas defendidas em campanha, quais temas abarcam, se envolvem a sociedade como um todo ou apenas uma parcela, se estão em consonância com os interesses democráticos e populares e se são viáveis, distantes das utopias que já viraram senso comum, mas são praticamente inalcançáveis.

Escolher em quem votar é mais que apertar teclas na urna eletrônica. Pede reflexão, análise e um comportamento cuidadoso de cada cidadão que deve pensar coletivamente para que a escolha mais acertada seja em benefício de todos.



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