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Sábado, 15 de setembro de 2018, 00h00

Pimenta nos olhos dos outros...

Jairo Pitolé Sant"Ana


Nestes últimos dias de altas temperaturas e tempo seco, em que a umidade do ar baixou pra 9%, centenas, ou talvez milhares, de crianças foram atendidas em policlínicas, prontos-socorros e UPAs, por problemas respiratórios, porque já não podem mais mergulhar nas águas de mais de duas dezenas de córregos que cortam o perímetro urbano cuiabano, desaguando seus esgotos nos rios Coxipó e Cuiabá e, de forma assustadora, no Pantanal mato-grossense.

Na cidade, os sem ar condicionado (em casa, no trabalho ou nos carros) respiram poeira, fuligem e outras impurezas, porque uma proteção natural foi destruída e tornou-se nociva à saúde. O pior é que nada, nenhum movimento, indica a existência de metas ou propostas para despoluir e recuperar estes córregos. É como se o problema não existisse. Tanto, que nem pra enganar o eleitor "trouxa", ele é levantando na campanha política regional.

Só não vai acontecer, nacionalmente com o relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2018, divulgado nesta semana pela FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), porque entre 1999 e 2010, o número de brasileiros passando fome reduziu de 20,9 milhões para 4,9 milhões.

Mas voltou a crescer. Pelo relatório da FAO, os números vêm subindo desde 2012, quando atingiu 5 milhões de pessoas, aumentando para 5,1 milhões em 2014 e 5,2 milhões em 2017. Dirão os insensíveis de plantão; "um aumento de apenas 300 mil pessoas em cinco anos". Como se sabe, pimenta nos olhos dos outros é refresco. Só arde no da gente.

A insensibilidade não se restringe aos brasileiros. O país não está sozinho neste mapa da fome. Com exceção da América do Norte (EUA e Canadá) e Europa, a fome e a subalimentação (além das doenças delas decorrentes) também voltaram a aumentar. O número de pessoas passando fome no mundo subiu de 815 milhões em 2016 para quase 821 milhões em 2017, especialmente na América Latina e África.

Quando não é a fome, é a obesidade adulta ou anemia nas mulheres em idade de reprodução. São 672 milhões de adultos no mundo (um em cada oito), dos quais 104,7 milhões apenas na América Latina e Caribe (uma em cada quatro pessoas). Enquanto isso, uma em cada três mulheres em condições de engravidar padecem de anemia.

Restando pouco mais de uma década para 2030, é possível afirmar que a meta de "assegurar o acesso de todas as pessoas a uma alimentação saudável, nutritiva e suficiente" mais uma vez não será atingida. Infelizmente.

Jairo Pitolé Sant"Ana é jornalista em Cuiabá. Sócio da Coxipó Assessoria de Imprensa. E-mail coxipoassessoria@gmail.com



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