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Sábado, 15 de setembro de 2018, 00h00

Origem e melhoramento vegetal

Arno Schneider


A maioria das pessoas não faz ideia da origem dos vegetais que consome, nem dos processos de seleção e de melhoramento que cada um deles sofreu até o momento.

Desde o advento dos seres vivos os vegetais iniciaram seu processo evolutivo que durou milhões de anos.

Após, com o surgimento do Homo sapiens, durante milênios, as espécies vegetais foram lentamente domesticadas, em função das nossas necessidades alimentares.

Muitos "profetas" prognosticaram que a produção de alimentos não iria acompanhar o aumento da população. Todos se derem mal, inclusive Malthus.

O problema do número de pessoas em relação aos alimentos disponíveis é antigo. Provavelmente os Neandertais já reclamavam que as cavernas estavam ficando cheias demais e que já não havia mais tantos mamutes para caçar como antigamente.

Atualmente ainda se fala na explosão demográfica e na precária suficiência alimentar para todos.

O melhoramento vegetal iniciou de uma maneira muito rudimentar. Escolhiam-se as sementes das melhores espigas e dos melhores frutos para fazer a semeadura, técnica que permitiu pequenos ganhos genéticos, mas suficientes para a época.

Com o inicio do descobrimento de novas terras os vegetais úteis foram disseminados pelo planeta inteiro. O milho e a batata, por exemplo, foram essenciais para o velho mundo.

A partir de meados do século XIX, com os primeiros conhecimentos de hereditariedade, graças a Mendel, foram iniciados os primeiros cruzamentos direcionados para o melhoramento vegetal.

Cruzamento é uma mistura ao acaso de genes. Com ele são produzidas centenas de genomas diferentes, que após semeadura tecnicamente conduzida em canteiros, são selecionadas as plantas mais produtivas.

Somente no século XX é que ganhou força a pesquisa agropecuária tendo como carro-chefe os cruzamentos. Nesse período foi até usado o bombardeamento de sementes com isótopos radioativos para provocar mutações com posterior seleção dos eventuais indivíduos mutantes mais produtivos.

Os cruzamentos promoveram resultados positivos para todas as espécies cultivadas.

Avanços em conhecimentos de genética permitiram, a partir da década de 1980, uma nova revolução no melhoramento vegetal. Foi dada a largada para a era dos vegetais geneticamente modificados (GM).

Os cientistas podiam agora manipular um gene com função conhecida, oriundo de qualquer espécie vegetal e adicionar ou substituir este gene no genoma de outra planta, onde ele faria o seu trabalho melhorador, sem prejuízo das características originais da receptora.

O exemplo clássico é a soja GM resistente ao herbicida glifosato.

Esta característica permitiu o surgimento de uma das mais revolucionarias tecnologias da nossa agricultura: o plantio direto e a viabilização de uma segunda safra a cada ano. Promoveu ganhos de produtividade e renda, redução de custos e ganho ambiental pela redução significativa da erosão do solo e facilitando a infiltração das águas pluviais.

A transgenia ficou próxima de ser sufocada no nascedouro por medos irracionais da militância ambientalista. O movimento contrário arrefeceu após a oferta de mais de um trilhão de refeições com produtos GM, sem nenhum problema de saúde.

A biotecnologia com a manipulação de genes, já se consolidou como principal ferramenta para o melhoramento vegetal.

Ela é direcionada tanto para o aumento da produtividade como para a qualidade dos alimentos (mais proteína e/ou mais vitaminas). Também pode tornar as plantas mais resistentes às pragas e doenças, reduzindo o uso de pesticidas.

Hoje quase todas as principais culturas agrícolas já sofreram algum melhoramento promovido pela biotecnologia.

Há uma grande distância entre os cultivares hoje plantados e seus parentes silvestres.

Arno Schneider é engenheiro agrônomo e pecuarista



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