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Domingo, 16 de setembro de 2018, 00h00

O despreparo

Lourembergue Alves


Em uma disputa político-eleitoral, os candidatos são agentes e sujeitos. É em torno e por conta deles que se desenrola toda a movimentação da eleição, e cada qual, à sua maneira, busca incansavelmente a aprovação do eleitorado. Para tal contam com auxiliares, apoiadores e quem lhes dão sustentação jurídica e de marketing. Trabalhos sempre fiscalizados pela Justiça Eleitoral, a qual havia antes organizado e disciplinado a eleição. Papéis bastante definidos. Muito longe, portanto, de protagonista do próprio jogo. O antijogo dos postulantes, porém, tem judicializado a disputa. E isto é ruim e danoso. Aliás, o próprio TRE/MT, em recente reunião, recomendou aos advogados que conversem mais com os candidatos sobre propaganda, com intuito de evitarem as ofensas entre os postulantes.

Recomendação que se deu com um recado muito direto: o "de maior interferência do Poder Judiciário". Recado pertinente. Realça o desejo de mais propostas. Propostas no lugar das agressões mútuas. Mas como cobrar dos candidatos ao governo do Estado de Mato Grosso algo que não possuem? Não há como! Em suas cartolas inexistem ideias, programas alternativos de governo. Por isso, eles se valem da agressão e das ofensas. Ofensas e agressões são armas de quem não conta com argumentos, conteúdo e conhecimento. Por isso atacam a pessoa do adversário, até para esconder a própria deficiência e desconhecimento, e com intuito de se passar por alguém que jamais fora. Atitude própria do despreparado para exercer a função que almeja conquistar, a cadeira central do Palácio Paiaguás. E, eleito e tomado posse, certamente irá governar na improvisação.

O uso da improvisação é o refúgio dos incompetentes agentes políticos. É um risco medonho transformá-los em agentes públicos. Pois não sabem planejar, nem tem planos de ações. Improvisar permanente e constantemente é um desastre para a administração pública. Não apenas os conchavos e as negociatas que fazem para ganhar a eleição. Ganham, e, mesmo antes da posse, loteiam o governo, com os cargos como moeda de troca. Moeda de troca bastante valorizada. Pois os apoios e as alianças, anteriormente concretizados, não se deram em razão da ideologia, nem da força do discurso, muito menos por conta da proposta. Isto porque nada disso foi levado em consideração nas negociatas.

Levou-se em conta o toma lá, dá cá. O que transforma o jogo político em um grande mercado. Mercado movimentado pelo tempo no horário de TV e de rádio, apoios, de um lado, e, do outro, secretárias e cargos no segundo e terceiro escalões. Vende-se, loteia-se e ignora os anseios e as necessidades do Estado e da população. Necessidades e anseios que jamais foram levados em consideração. Pois, se tivessem sido, haveria ao menos um único projeto, uma única proposta durante as propagandas, os debates e as entrevistas. Não se vê por uma única razão, a ausência de um trabalho preliminar que levasse a um plano de governo. Plano que nem de longe se iguala com o que fora entregue na Justiça Eleitoral, a título de pré-requisito para o aceite da candidatura. Obrigatoriedade, porém, cumprida com um texto malfeito, mal elaborado e apresentado como plano. Mas está muito aquém de um plano. Sem qualquer cuidado. Sem qualquer respeito com o eleitorado. Pois, se de fato, tivesse o tal respeito, cada candidato teria exigido de seu partido maio atenção a esse respeito, e ele próprio teria igualmente tomado os pés da situação. Não fizera nem uma coisa, nem outra. Infelizmente. É isto.

Lourembergue Alves é professor e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço aos domingos. E-mail: lou.alves@uol.com.br.



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