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Sexta, 25 de agosto de 2017, 00h00

Corrupção


Acusado pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso de ter exigido e recebido um lote para votar favorável à ampliação de um loteamento na cidade de Primavera do Leste, distante 244 Km de Cuiabá, o ex-vereador Manoel Messias Cruz Nogueira, mais conhecido como ‘Messias de Caprio‘, foi denunciado por corrupção passiva. Ele responderá ainda pelos crimes de lavagem de capital, já que teria tentado dissimular a origem do bem obtido indevidamente; e coação no curso do processo por ter ameaçado uma testemunha no decorrer da investigação.

Balcão

E o que dizer do Tribunal de Contas? Terá o nome definitivamente jogado na lama por conta da sanha monetária de um grupo de malfeitores do dinheiro público? A informação que consta na delação de Silval, homologada pelo STF, dando conta de propinas de R$ 53 milhões para 5 conselheiros é escandalosa, repugnante, imperdoável. Se as provas documentais supostamente apresentadas pelo ex-governador à PGR corroborarem com o que ele disse, o TCE terá que mudar de nome, passando a chamar-se Feirão dos Negócios Ilegais. É um absurdo sem tamanho um órgão fiscalizador como o TCE simplesmente mandar paralisar obras porque a fonte da propina secou.

Quem sobra?

As negociatas que já foram divulgadas e as que ainda virão à tona prometem envolver um número ainda maior de políticos de Mato Grosso. E certamente não serão apenas acusações vazias. Há provas robustas, segundo muitos acreditam. Diante desse lamaçal que vai tomando conta dos poderes e instituições do Estado, fica a pergunta. Em quem acreditar? Em quem confiar, principalmente em se tratando de eleições no próximo ano? Haverá nomes ‘limpos’ até lá, para servir de parâmetro de escolha? Hoje a desilusão é muito grande. Mato Grosso vai se tornando a ‘Meca da corrupção’ no Brasil.

Limpeza

O povo mato-grossense está enojado com tanta roubalheira. Ainda assim, demonstra a cada dia que faz das adversidades um combustível para superar os problemas e se manter na luta. É uma pena que esta batalha não conte com respaldo algum dos nossos representantes. Além de faltar a contrapartida do poder público para muita coisa, a classe política ainda retira o pouco de esperança que existe para a melhoria geral da qualidade de vida da população. Todas as revelações feitas por Silval e, principalmente, os nomes citados por ele, são e devem ser, lembrados pelos eleitores no próximo ano. Se o país passa por uma faxina ética, em Mato Grosso o trabalho de limpeza terá que ser redobrado.

Monstro

O monstro era feio mesmo. Assim que o ministro do STF, Luiz Fux, comentou a jornalistas que a delação do ex-governador Silval Barbosa era ‘monstruosa’, nem todos imaginavam o que isso significava. Aos poucos os fatos vão sendo revelados e, ao menos para a população mato-grossense, o termo usado pelo ministro resume bem a situação. Fux disse ainda, na época, que o esquema de corrupção detalhado por Silval só perdia para a Lava Jato, que é um colosso de denúncias, maracutaias e crimes financeiros de toda ordem. O que já foi divulgado já causa espanto. Resta saber se a hecatombe será ainda maior (e pelo jeito será).

Horrores

Casa dos Horrores é a alcunha que persegue a Câmara Municipal de Cuiabá há alguns anos, por conta de sucessivas gestões em que seus presidentes foram apanhados em atos de improbidade e corrupção. Mas para muita gente o ‘título’ deveria mudar de endereço e ser colado à Assembleia Legislativa. De acordo com a delação de Silval, de 8 a 10 deputados teriam recebido ‘mensalinhos’ de R$ 600 mil cada para não fiscalizarem as obras de pavimentação asfáltica em Mato Grosso, durante o programa MT Integrado. E sabe o que é pior? Silval em mais de 2 horas de vídeos mostra deputados recebendo propina. O que foi mostrado ontem à noite é apenas o começo!

Intermediador

Visto como político do mais alto gabarito na escala eleitoral no Estado, o ex-prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB), não aparece como beneficiário de propina na ‘boca maldita’ de Silval. Mas foi citado como intermediador principal de uma nebulosa articulação para que o ex-governador tivesse a garantia de que não teria suas contas devassadas pelo atual governador Pedro Taques. Mendes, segundo Silval, chegou a pedir que Silval doasse, em Caixa 2, R$ 20 milhões para a campanha de Taques em 2014. E que tal acerto teria ocorrido da casa de Mauro Mendes, em reunião que contou ainda com a presença do atual ministro da Agricultura Blairo Maggi. Não se sabe, no entanto, se esta quantia chegou a ser paga.

Sina dos Bezerras

Ambos compartilham o mesmo sobrenome, mas não são parentes, muito longe disso. Quis o destino, no entanto, que o deputado estadual Oscar Bezerra (PSB) e o deputado federal Carlos Bezerra (PMDB) figurassem como alvos da delação do ex-governador Silval Barbosa. O primeiro é acusado de pedir R$ 15 milhões para não comprometer Silval na CPI das Obras da Copa. No fim das contas, teria recebido ‘apenas’ R$ 200 mil. Já Carlos Bezerra, antigo cacique da política local, surge como beneficiário de R$ 1 milhão, resultado de propina para intermediar a desapropriação da área onde está o bairro Renascer, em Cuiabá.
 



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