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Sábado, 16 de junho de 2018, 00h00

Delação à vista?


Depois da tentativa frustrada da defesa do cabo Gerson Corrêa Júnior de afastar os juízes militares - dois coronéis da Polícia Militar - responsáveis por julgar a ação penal oriunda do escândalo da ‘grampolândia pantaneira‘, ganhou força o rumor de que o policial - o único sem alta patente na lista de acusados de participar das interceptações telefônicas clandestinas - pode partir para um acordo de delação premiada.

Primeira cotação

Em março deste ano, durante uma audiência de instrução do caso dos grampos, o fotógrafo Chico Ferreira já havia flagrado uma orientação do advogado Neyman Monteiro ao cabo no sentido de falar o que sabe a respeito do esquema. A sequência de imagens foi manchete de A Gazeta do dia 3 daquele mês.
Na época, a defesa teve o pedido de revogação da prisão preventiva do cabo negado, mesmo diante de um parecer favorável, de autoria do Ministério Público Estadual. Gerson só conseguiu deixar a cadeia cerca de 10 dias depois.

Próprio veneno

Quando a juíza aposentada Selma Arruda anunciou que pretendia se candidatar, teve político que torceu muito para que o projeto se consolidasse. Diziam que queriam ver como a magistrada linha dura se comportaria do outro lado da mesa.
E nem precisou chegar na época das convenções, quando as pré-candidaturas são confirmadas, para que ela começasse a provar do próprio ‘veneno‘.

Questionamentos

As paródias na internet com trechos de seus discursos, os questionamentos públicos sobre quanto ela recebeu do Tribunal de Justiça depois da aposentadoria, as críticas ao privilégio de andar com escolta bancada pelo governo... tudo isso é só uma pequena amostra do que Selma Arruda vai ter que enfrentar se entrar para a política de fato.

Vidraça

Em outras palavras, se quiser sobreviver nesse mundo novo, a juíza que era acostumada a ser ‘pedra‘, vai ter que entender que agora é ‘vidraça‘.

Ex-quem?

Selma Arruda também precisa estar preparada para outro cenário: o do esquecimento. Quem no mundo da política ainda se lembra de Julier Sebastião? O juiz federal tão temido quanto a ex-titular da Sétima Vara também se aventurou na política, acabou passado para trás pelo partido, até conseguiu se candidatar, mas não chegou nem perto de vencer uma eleição. Hoje sequer é considerado nas rodas partidárias como possível candidato a qualquer cargo que seja.

Ego versus razão

O que casos como o de Julier mostram é que ‘Selmas‘ e ‘Moros‘ precisam estar conscientes de que, apesar dos aplausos que recebem da população, quando fazem Justiça contra corruptos, não estão fazendo nada além do que o trabalho para o qual são pagos (muito bem pagos).
Se tiverem condições de, uma vez aposentados, continuarem contribuindo para melhorar o país, ótimo. O que não podem é deixar que o ego acabe falando mais alto do que a razão.

Continuando

A edição deste domingo (17) de A Gazeta traz a sexta reportagem da série sobre os ex-governadores do Estado. Depois de Fernando Corrêa da Costa, João Ponce de Arruda, Pedro Pedrossian, José Fragelli e José Garcia Neto, é a vez de contar como foi a gestão de Frederico Campos, o primeiro governador de um Mato Grosso com território reduzido, como conhecemos hoje.
 



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