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Quarta, 22 de agosto de 2018, 00h00

Excesso de fiscalização?


É de causar vergonha e beira o absurdo a proposta que o vereador Adevair Cabral (PSDB) teve a audácia de apresentar na Câmara de Cuiabá nesta terça-feira (21). Uma emenda à Lei Orgânica que limita o (já ineficiente) trabalho dos próprios parlamentares.
Pior foi o argumento usado pelo tucano para rebater os colegas que o acusaram de estar agindo a mando da Prefeitura de Cuiabá. Segundo Adevair, a ideia foi sua, sim, e teria como objetivo “evitar o excesso de fiscalização” por parte do Legislativo.

Casa dos Horrores

E em meio de coisas desse tipo, Justino Malheiros (PV), presidente da Mesa Diretora, ainda quer culpar a imprensa pelo apelido de “Casa dos Horrores” do qual a Câmara de Cuiabá não consegue se livrar.
Se o Legislativo é hoje motivo de chacota e desconfiança nas ruas, é graças à presença e às ações de vereadores de meia tigela como Adevair, que pensam apenas em aparecer ou em atender aos próprios interesses, usando o cargo e o salário astronômico que recebem mensalmente.

Lista sem fim

A lista de candidatos que tem o Ministério Público Eleitoral contra seus registros para disputar as eleições deste ano só cresce. Nesta terça-feira, entraram para o “seleto grupo” os deputados estaduais Romoaldo Júnior (MDB) e Gilmar Fabris (PSD), o suplente Adriano Silva (DEM) e o deputado federal Carlos Bezerra (MDB). Entre as acusações mais comuns está o não pagamento de multas aplicadas pela própria Justiça Eleitoral em pleitos passados, mas a relação de irregularidades também é grande e bem sortida.

Excesso de salário!

Falando em salário, a única parte boa que propostas ridículas como essa tem é fazer a população saber que, dentro da Casa dos Horrores, alguns ainda se salvam. Gilberto Figueiredo (PSB), por exemplo, sugeriu o óbvio: se vão ser reduzidas as atribuições dos vereadores, então que se reduza o pagamento que eles recebem para desempenhar a função.
Aliás, a proposta de Adevair nem precisaria ser colocada em prática para isso, já que são pouquíssimos os vereadores que, de fato, fiscalizam alguma coisa no município, que dirá cometendo “excessos”.

Toma lá, dá cá

A tese de parte dos tucanos teria como base os rumores recentes de que Selma Arruda teria procurado Otaviano Pivetta (PDT), vice em uma das chapas adversárias, para chorar as pitangas por uma suposta traição que estaria sendo articulada por Nilson Leitão.
Para quem não se lembra, o tucano, preocupado em perder votos para a companheira de chapa, teria prometido auxílio à campanha do Procurador Mauro (PSOL) ao Senado, na esperança de ele tirar votos de Selma.

Vazamento

Segundo quem acompanha os bastidores da coligação de Pedro Taques, Nilson Leitão (ambos do PSDB) e Selma Arruda (PSL), a notícia de que a delação premiada do empresário Alan Malouf teria sido homologada - divulgada nesta terça-feira (21) pela Folha de S. Paulo - causou mais um abalo na chapa que ainda se recuperava da última tormenta pela qual passou.
O que se fala é que no meio da reunião da cúpula tucana para fazer um balanço dos possíveis impactos disso na campanha, teria surgido a tese de que Selma poderia estar por trás do vazamento da notícia.

Teoria da conspiração

A teoria da conspiração que envolve a relação entre Selma Arruda e Nilson Leitão - que ainda fazem uma força absurda para parecerem suportar a presença um do outro nos eventos que participam juntos -, aliás, foi desmentida pelo candidato do PSOL ao governo, Moisés Franz, em entrevista no Grupo Gazeta, nesta terça-feira.
Franz defendeu o companheiro de chapa, Procurador Mauro, com as frases padrão de todos os filiados ao PSOL: o partido “não faz conchavos”, o partido é “aliado do povo”.

Constrangimento à vista

Mas se toda essa história envolvendo Selma, Leitão, Taques e Malouf foi mesmo intriga da oposição, boatos plantados pelos adversários ou coisa do gênero, a tal da delação ainda vai dar margem para constrangimentos, afinal de contas, a juíza aposentada havia imposto como condição para aceitar uma aliança política, que os companheiros de palanque não fossem investigados e nem delatados. E no caso de a Folha de S. Paulo estar certa, não é uma delação qualquer, é uma delação que nasceu em processo relatado pela própria Selma, quando ainda atuava na Sétima Vara Criminal de Cuiabá.
 



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