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Quarta, 05 de setembro de 2018, 00h00

Inferno astral


Se você leitor não sabe o que significa inferno astral, os últimos dias vividos pela ex-juíza Selma Arruda (PSL) são uma boa definição. Depois de brigar com a chapa majoritária, perder o apoio de toda a coligação por causa disso, não poder mais aparecer no horário eleitoral, ela ainda teve a candidatura questionada pelo Ministério Público por conta da data de escolha de um de seus suplentes. E como se tudo isso não bastasse, o relator do caso é o juiz eleitoral Ulisses Rabaneda que já mostrou ter punho de ferro, por exemplo, no caso da ata falsificada em outro pleito. O voto dele foi o mais duro para os envolvidos naquela situação. Mas Selma não deve estar esperando nada diferente disso, conhece bem o magistrado.

Colhendo tempestade

Parte - se não o todo - do que Selma Arruda tem enfrentado, no entanto, é fruto do que ela mesma plantou. Inexperiente na política, a juíza aposentada enfiou os pés pelas mãos quando levou a público questões que deveriam ser debatidas internamente. Não apenas se desgastou com seu partido e aliados como mostrou para outras agremiações que, talvez, não seja uma pessoa em que se possa confiar conversas particulares. E antes que alguém levante a suspeita de que esta nota se refere a assuntos não republicanos, vale ressaltar que não é isso. Selma expôs divergências que nada têm a ver com corrupção ou crimes, mas que servem da mesma forma de munição para os adversários do grupo. Acabou colocando os dois pés no mesmo barco em que o ex-juiz federal Julier Sebastião pisou e nunca mais foi visto.

E agora, Bezerra?

Cacique do MDB, Carlos Bezerra está em uma situação, no mínimo, indesejada. Colocou o partido na coligação que defende a candidatura de Mauro Mendes (DEM) ao governo do Estado e agora tem que presenciar o democrata se engalfinhando publicamente com o principal nome do MDB na Capital, o prefeito Emanuel Pinheiro. Quando Emanuel preferiu não apoiar Mendes, indo contra a orientação partidária, Bezerra até conseguiu se esquivar. Agora, a coisa está caminhando para um rumo mais grave. De que lado será que o cacique vai ficar?

Morosidade 1

Criticado quando o assunto é a celeridade nos julgamentos, o Poder Judiciário de Mato Grosso, por vezes, (não) toma atitudes que contribuem ainda mais para essa imagem já gravada na mente da população. Um exemplo disso são duas situações envolvendo - ainda que indiretamente - a construção do VLT em Cuiabá.
A primeira delas é a presença de um posto de combustível que funciona há mais de 15 anos no canteiro central da Avenida do CPA, uma das mais importantes da cidade. Um empreendimento privado, propriedade do mais famoso investigado da Ararath, Júnior Mendonça, instalado em terreno público e amparado por uma mera liminar. E ninguém julga em definitivo o caso.

Morosidade 2

A segunda situação que põe o Judiciário ainda em mais descrédito perante a população é referente à chamada Ilha da Banana, cujo processo de desapropriação dos imóveis já se arrasta há mais de quatro anos. É verdade, restam poucas casas no local, mas essas poucas casas ainda impedem que o espaço seja melhor aproveitado e, pior, servem de abrigo para usuários de droga e assaltantes, expondo o cidadão que passa por ali a risco.
Já passou da hora de o presidente do Tribunal de Justiça ou a própria Corregedoria da Corte investigar o motivo de não haver uma decisão em definitivo sobre isso. Do jeito que está, o Judiciário de Mato Grosso está condenando Cuiabá inteira a conviver com um espaço morto, bem no centro da cidade.

Subindo o tom

Para quem não sabe o que aconteceu, Mauro Mendes afirmou que Emanuel Pinheiro “mente descaradamente” e que esta é uma característica “peculiar da história” do emedebista. As declarações foram dadas ao site RDNews, em um tom bastante irritado, segundo a reportagem, quando o democrata foi perguntado sobre um anúncio da atual gestão da Capital de pavimentação de 180 km de ruas. Ainda de acordo com o site, o candidato ao governo chegou a lançar um desafio ao prefeito: quero que ele mostre “rua por rua, bairro por bairro” onde está esse asfalto.

Codinome...

Na lista dos partidos mais atuantes na política brasileira, sempre ocupando cargos importantes e sendo o fiel da balança no Congresso incontáveis vezes, o MDB é também uma das agremiações mais envolvidas em casos de corrupção do país.
Nos últimos anos, sempre que se falava em corrupção, alguém filiado ao MDB era citado. Inúmeras vezes, nomes importantes do partido acabaram atrás das grades. Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara Federal, André Puccinelli, ex-governador de Mato Grosso do Sul, sem falar em praticamente os governos inteiros de Silval Barbosa, aqui no Estado, e de Sérgio Cabral, no Rio de Janeiro.

...corrupção

O que é quase incompreensível é que, nesta eleição, o MDB é, mais uma vez, uma peça fundamental do jogo político. Enquanto o PT, que também viveu dias de exposição por casos de corrupção parece ter caído em desgraça, os emedebistas conseguiram um espaço considerável em uma coligação que, até agora, aparece na frente na preferência do eleitorado. Um espaço, aliás, que foi conquistado sob suspeitas de uma grande negociata, que envolveria barganha de cargos numa eventual futura gestão do Estado.
 



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