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Domingo, 10 de setembro de 2017, 11h05

Unidades de saúde lotadas

Clima seco eleva em 30% a procura por atendimento médico em Cuiabá

Alcione dos Anjos, repórter de A Gazeta


João Vieira

Médicos que atuam nas unidades de saúde públicas e privada na Capital contabilizam cerca em 30% o aumento do número de pacientes com reclamações de coriza, garganta e olhos irritados, espirros constantes, além de crises asma, rinite, sinusite, bronquites e outros problemas respiratórios. Segundos os profissionais, entre os meses de junho a outubro, o clima na região Centro -Oeste é quente e seco, favorecendo o acúmulo de partículas na atmosfera, deixando a qualidade do ar ruim para o ser humano.

Somada a esta característica climática surgem as queimadas urbanas ilegais, prejudicando ainda mais o ar, atingindo principalmente idosos que têm o sistema imunológico comprometido e as crianças, com sistema imaturo.

O pediatra Rubem Couto, que atende na rede privada, teve trabalho extra nos últimos meses. “Nesta época aumentam muitos os casos de problemas respiratórios e no meu consultório não foi diferente. Muita queixa de tosse. A média é de 30% de pacientes a mais na sala de espera”, conta.

O colega de profissão, médico de família e comunidade, Fernando Antônio Santos e Silva, que atende no Programa Saúde da Família (PSF) do Praieiro, estima a mesma porcentagem de aumento no postinho.

“Na unidade de saúde que atendo percebi um crescimento da demanda em torno de 30%, acredito que nas outras unidades aconteceu o mesmo, pois é uma demanda sazonal, começa em julho quando para de chover e vai até outubro, com as chuvas em maior volume. Todo ano isso ocorre, mas na minha avaliação este ano está um pouco pior. Acredito que a temperatura elevada e os fatores ambientais estão mais desfavoráveis este ano, o que tem piorado a qualidade do ar e aumentando o quadro de doen- ças respiratórios, resfriados comuns e gripes”, destaca.

Na Policlínica do Verdão, as queimadas urbanas também têm interferido no número de pacientes da unidade e o registro, conforme a clínica geral Adba Cunha está também no patamar de 30%. “Todas nós sofremos, afinal o ar é o mesmo para todos. Mas as crianças e os idosos são mais afetadas”.

Na UPA do Pascoal Ramos, quadro se repete

A clínica geral e pediatra, Monizze da Costa Dias, que atua na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Pascoal Ramos, confirma o aumento de 30% de pacientes com problemas respiratório e afirma que a maior preocupação está com as crianças abaixo dos 6 meses de vida. “Eles ainda estão com o sistema imunológico em formação e se não tratados adequadamente evolui de uma infecção viral para uma bacteriana muito rapidamente”, alerta.

“A orientação é assim que notar que a criança não está bem, está com dificuldade para respirar, fundo baixo de garganta, fundo baixo de diafragma, febre persistente, principalmente nesta época do ano, que tem um exacerba- ção de bronquiolites, bronquioespamas e rinites, procure uma unidade de saúde para entrar com medicação correta. As vezes os pais dão uma medicação em casa e mascaram os sintomas prejudicando o diagnóstico”, lembra.

A médica explica que o aumento de procura nas unidades nem sempre significa novos pacientes. “Muitas vezes se trata de retornos, porque as mãe ficam nervosas esperando uma melhora imediata e o organismo da criança leva entre 24 e 72 horas para se adaptar às medicações e ter os efeitos desejados”, informa. “Pacientes com já apresentam quadros respiratórios comprometidos como asma, rinite, sinusite e bronquites tem os sintomas agravados nesta época do ano, entram na crise e voltam para a unidade”, cita.

Este é o caso de Cauã da Paixão de Jesus. Ele tem bronquite desde que nasceu e sempre sofre no período de seca. Nesta semana, devido às queimadas registradas na região do São João Del Rey, onde mora com a família, o quadro dele piorou e teve uma crise respiratória. O pai, o pintor, José Carlos da Paixão, 35, correu com o menino para a UPA.

Enquanto a reportagem esteve na unidade Cauã recebia a medicação pelo nebulizador pela 3ª vez naquela manhã, se muitas crianças não gostam do equipamento, o menino acostumado com o inalador desde pequeno, agradece. “Fico melhor depois”, afirma. “Cuiabá está com muita fuma- ça, lá perto de casa tem muita queimada, o povo coloca fogo no lixo e o Cauã é quem sofre. Esta noite respirou com dificuldade, chorou reclamando do mal-estar e eu sem ter muito o que fazer. Estou rezando para chover”, diz o pai.

Infelizmente as preces do pai de Cauã ainda vão demorar para ser atendidas, previsão de chuva em Cuiabá só daqui há 3 semanas. Segundo o técnico de Meteorologia do 9º Distrito, Valdir Fidélis, os próximos dias devem ser de muito sol, calor e umidade relativa do ar (URA) baixa. Para hoje (09) máximas previstas estão entre 38 e 40ºC e URA em 20 a 14%.

Cuiabá está em estado de alerta

Chico Ferreira

O diretor de Proteção e Defesa Civil de Cuiabá, coronel Bombeiro Militar Paulo Wolkmer, lembra que o município está em estado de alerta, quando a URA está na faixa de criticidade, entre 20 a 12%, destaca que a última chuva registrada em Cuiabá foi no dia 13 de agosto. Antes a Capital tinha ficado 81 dias sem chuva. “Como não podemos interferir nesta condição climática podemos minimizar o sofrimento como? Não poluindo mais este ar que já está com muita poeira acumulada”, aconselha.

Porém não é isto que vem ocorrendo. Segundo o diretor de julho a agosto, a Defesa Civil da Capital fez 157 notificações a proprietários de terrenos flagrados com focos de queimada. “Está faltando mais conscientização da população. Quem coloca fogo no quintal tem que entender está prejudicando a si mesmo e a seus familiares, já que são os primeiros a respirarem aquela fumaça. Depois os prejudicados são os vizinhos da rua, da cidade do Estado. Essas pessoas que hoje colocam fogo podem ser os próximos pacientes com problemas respirató- rios”, analisa.

Para minimizar os impactos da má qualidade do ar na saúde as orientações gerais são caprichar na hidratação, de preferência tomar até mais que 2 litros de líquido por dia, como água, água de coco, isotônicos, sucos de todas as frutas e chás. “Em estado de alerta é preciso ainda evitar exposição direta ao sol e suspender atividades físicas das 10h às 16h”, destaca Wolkmer.

Monizze aconselha a evitar o contato dos pequenos com carpetes e animais de estimação, pois favorecem o surgimento de alergias. Lembra que contato de crianças abaixo dos 6 anos com outras, como o que ocorre em creches e escolinhas, favorece as transmissões infecções virais, as chamadas infecções de repetição. “Uma dica é tentar evitar ar condicionados constante, pois ele retira a água do ambiente que já está seco. Além disso umidificar o ambiente é importante, seja com umidificadores ou com recipientes de água espalhados, até uma toalha molhada estendida ajuda”, ensina a pediatra.



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