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Terça, 04 de setembro de 2018, 08h00

morador de primavera do leste

Estado revoga home care de idoso paraplégico e família relata desamparo

Valquiria Castil, repórter do GD


Divulgação

Idoso cadeirante e com sequelas de acidente teve o serviço revogado pelo TJ a pedido do Estado

Atualizada 5 de agosto às 17h54 - Decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, a pedido do governo do Estado, retirou de um idoso de 67 anos, paraplégico, e com várias sequelas de um acidente de trânsito, o direito ao benefício do tratamento médico domiciliar (home care) que ele havia conquistado há mais de dois anos, também por meio de decisão judicial.

Leia também - Júlio Müller suspende atendimento por tempo indeterminado 

Cícero Miguel da Silva é morador de Primavera do Leste (231 km ao sul de Cuiabá) e sofreu um acidente automobilístico em dezembro de 2015. Desde então, era tratado em casa, mas no dia 20 de agosto deste ano teve o serviço de home care suspenso.

Sem condições financeiras e sem o atendimento médico domiciliar, sua esposa, Maria Leodiva Gomes da Silva, 51, está desesperada com a atual situação. Ela relata que o único rendimento da família é o auxílio saúde de Cícero, já que ela está desempregada por não ter condições físicas para trabalhar e nem ajudar o marido devido à obesidade mórbida. O casal vive de aluguel custeado por familiares.

Cadeirante, Cícero teve fraturas na bacia e no fêmur quando sofreu o acidente. Atualmente, tem necessidades de usar fralda geriátrica, o que consome cerca de R$ 300 por mês. Também apresenta dificuldades para se alimentar sozinho e sua alimentação é exclusivamente pastosa.

Cícero contava com o tratamento domiciliar cerca de 12 horas por dia com auxílio de um técnico de enfermagem, além de enfermeiro, nutricionista, fisioterapeuta, psicólogo, fonoaudiólogo e médico. “Tem sido muito difícil cuidar dele sozinha, eu não aguento pegá-lo e ele fica caindo no chão. Tenho ajuda dos meus vizinhos que vem aqui em casa para cuidar dele. Estamos totalmente desamparados sem esse auxílio”, explica a dona de casa em entrevista ao Gazeta Digital.

De acordo com ela, o serviço de home care foi retirado após o Estado recorrer da decisão judicial que havia concedido o tratamento. Semestralmente, era feita uma avaliação quanto à necessidade do paciente ao serviço. Porém, de uma avaliação para a outra o caso teria evoluído.

“O médico e a assistente social disseram que ele tinha melhorado, mas não entendo como se o problema dele é o mesmo. Continua debilitado, a aparência dele é boa porque estava sendo bem cuidado. Mas ele ainda precisa de cuidados, que eu infelizmente não consigo proporcionar para ele”, lamenta a mulher.

Como o caso já foi analisado pelo Tribunal de Justiça, a Defensoria Pública só poderá recorrer da decisão após um novo laudo médico independente apontar a necessidade ou não do fornecimento do home care.

Morte à espera de atendimento

A situação é desesperadora para os familiares de pacientes que necessitam da home care. Além das suspensões do atendimento domiciliar, há casos em que o paciente morre à espera do tratamento, como ocorreu com o Deolindo Dalarosa, 78.

Portador de Alzheimer avançada e osteoporose grave que demandava cuidados permanentes, conforme a avaliação médica, em julho de 2017 a família procurou a Defensoria Pública para solicitar a home care. Porém, um ano depois, em julho deste ano, Deolindo morreu à espera da assistência médica em casa.

Outro lado 

A Secretaria Estadual de Saúde (Ses) afirmou ao Gazeta Digital que Cícero Miguel conseguiu o serviço de home care em agosto de 2016 sob bloqueio judicial das contas do Estado, no entanto negou ter conhecimento de ação para retirar o atendimento. Conforme a pasta, como o atendimento foi obtido através de decisão judicial, o processo não passou pela secretaria, tendo o paciente ido diretamente à Justiça para assegurar o serviço. 

Quanto ao paciente Deolindo Dalarosa, a SES informou que o setor de Atenção Domiciliar da Coordenadoria de Regulação da SES não localizou nenhuma informação a respeito do paciente.

Ao todo no Estado, a SES atende 62 pacientes através da home care. Eles estão distribuídos pelos municípios de Cuiabá e Várzea Grande (atendidos pela Help Vida), e no interior do Estado em Rondonópolis, Pedra Preta, Tangará da Serra (Qualy Care) e também em Sinop por pagamento por indenizatório pela Qualy Care. O gasto médio mensal por paciente é de R$ 27.049,60.



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